10 agosto

Comunidade Terapêutica Infanto-Juvenil

Fundação Nosso Lar

“Vai florescer, o ser divino que está dentro de você”.

Público Alvo

Crianças e adolescentes após processo de desintoxicação que sofrem com uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas (SPA) que se encontrem em situação de rua, em processo de acolhimento institucional e/ou familiar, com vínculos familiares fragilizados e/ou rompidos, diagnosticados pelo CAPS I, encaminhados através de referenciamento da rede de proteção e determinação da Vara da Infância e Juventude de Foz do Iguaçu.

APRESENTAÇÃO

Em todos os processos da história da humanidade, pessoas usaram e abusaram de substâncias capazes de modificar o funcionamento do sistema nervoso, induzindo sensações corporais e estados psicológicos alterados, denominadas pelo senso comum de “drogas”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera “droga” qualquer substância que seja capaz de alterar a função dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas, comportamentais, agressoras do sistema nervoso central, aumentando-o (estimulantes), reduzindo-o (depressoras), ou alterando as percepções (perturbadoras), chamadas então de psicoativas.

Percebe-se de modo impressionante um número cada vez maior de crianças e adolescentes adictas, principalmente as expostas a ambientes insalubres, situações de vulnerabilidade e riscos decorrentes da desigualdade social, famílias cujos vínculos estão fragilizados ou rompidos, expostas a experiências traumáticas e/ou dolorosas. Influenciadas por aspectos ambientais (sociais, culturais e educacionais) comportamentais e genéticos, sofrem de modo mais agressivo as consequências das negligências, dada exposição constante às variadas formas de violência.

É importante reconhecer para além dos conflitos existenciais, mentais e sociais decorrentes do uso de drogas lícitas e ilícitas, a infância e adolescência são as fases mais críticas do desenvolvimento humano e social. São nestas fases que os indivíduos se constituem a partir do contato com mundo exterior, e se deparam com seus maiores problemas, os quais mascarados pelo uso de psicoativos como forma de enfrentamento errônea, colaboram para potencializar a predisposição de um comportamento agressivo e anti-social. A falta de comunicação, inabilidade de expressar emoções, dificuldades de relacionamento, negativismo, impulsividade, impaciência e comportamentos desafiadores, são uns dos mecanismos comportamentais acionados. Estes tendem a imputar desvios de conduta e situações de risco que devem ser prevenidas pela família, pelas instituições e pelo Estado.

Justificativa
A embriaguez e o consumo de substâncias psicoativas ilícitas (cocaína, crack, ópio, ecstasy e afins) têm sido usados por crianças e adolescentes como amortecedores disfuncionais de superação de conflitos existenciais, sociais, afetivos, buscas compulsivas individuais por sensações de prazer e/ou fugas das realidades, contribuído para a degradação familiar, degeneração física, psicológica e moral, sendo fontes imensuráveis de prejuízos socioambientais e delinquências infantojuvenis acometidas.
O comportamento de consumo pode e dever ser combatido a partir da garantia dos direitos fundamentais e atividades de intervenções motivacionais, porém as mesmas precisam estar estruturadas em um plano terapêutico contínuo, que trabalhe com etapas de conscientização, enfrentamento, superação de expectativas, fortalecimento e resiliência. Estes programas precisam, para obter resultados positivos, ser construído conjuntamente com as necessidades, interesses subjetivos dos atendidos, dentro de espaços adequados e ambientalizados para tal finalidade.

Visa-se a partir disto garantir a proteção da criança e adolescente, respeitando os tempos de acolhimento conforme os níveis emergenciais e situações específicas. Para isto, nossa proposta ofertará acolhimento em três (3) casas residenciais, sendo uma feminina e uma masculina, e uma para condições excepcionais, atendendo 15 vagas e possibilitando acessos a atividades de educação holística, incentivo ao autoconhecimento, autoconsciência, autodisciplina e auto-organização. Trabalhar com atividades artísticas, lúdicas, pedagógicas, esportivas e terapêuticas, junto com estímulos de convivência de pares, fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários; instrumentalização dos potenciais e habilidades sociais como premissas para a constituição de sujeito cidadão e por fim, possibilitar o contato com técnicas, capacitações e atividades laborais que qualifiquem as condições de vida e possam gerar renda.

Objetivos Específicos:

1) Proporcionar moradia, educação viva, esporte, cultura, lazer e terapias que contribuam com o desenvolvimento humano, em acolhimento humanizado, especializado temporário, de média duração, de no máximo 9 meses.

2) Propiciar acompanhamento psicossocial ao usuário e a respectiva família;

3) Desenvolver atividades de conquista das qualidades volativas dos atendidos e ações para o fortalecimento de vínculos familiares e de apoio aos processos de autonomia, reabilitação e reinserção do público atendido; através de espaços coletivos de escuta e vivências familiares e/ou comunitárias;

4) Criar, incentivar e proporcionar atividades externas de convivência e integração social, a partir da permacultura e educação viva – laborterapia, em contato com a terra cedida pela Prefeitura Municipal para este fim.

5) Realizar visitas domiciliares conforme demanda, para conhecer melhor a realidade familiar dos residentes enquanto estão no período de tratamento e quando houver a necessidade realizar encaminhamentos para a rede de atendimento do município e região;

6) Desenvolver em conjunto com a criança e adolescente um projeto de vida, estimulando o protagonismo, inclusive para geração de renda, que oportunizem aprendizagem, preparando-os para o mundo do trabalho;

7) Fortalecer os programas transversais de interdisciplinares a fim de promover as políticas públicas voltadas a proteção da criança e adolescente, em principal com a Rede Intersetorial – Assistência Social, Saúde, Educação, Justiça e Direitos Humanos.

PLANO ATIVIDADES TERAPÊUTICAS:

1) Permacultura

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Buscar no meio produtivo da agricultura mecanismos de reconstrução da identidade, instrumentos de qualidade de vida e sobrevivência. O contato com a terra é o utilizado em quase todas as comunidades terapêuticas. O cuidado com as plantas, com os alimentos, com o preparo do alimento,além de reeducativo é motivacional. Por esta razão propomos oferecer técnicas e valores sobre permacultura (hortas orgânicas, alimentação saudável – Pancs, agro floresta, bio construção e biodinâmica). Estes conhecimentos tem sido promovidos nacionalmente e internacionalmente, os quais podem ser considerados terapêuticos, possibilitarem qualidade de vida e novas formas  sustentáveis de trabalho.

2) Yoga

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A Yoga tem contribuído com inúmeros fatores para o           desenvolvimento humano. No mundo infanto-juvenil colabora para o   trabalho da concentração, equilíbrio, desenvolvimento motor,   respiração e superação de limites. Além de investir na capacidade   meditativa, contribui no desenvolvimento do autoconhecimento e     superação de conflito a partir da conexão e resignificação das   emoções  mais profundas do ser.

 

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3) Psicoterapia Bonding

A Psicoterapia Bonding atua em 10 países a mais de 30 anos. Trabalha o reconhecimento pisco-social e espiritual de emoções ocultas, provenientes da falta de preenchimento de necessidades biopsicossociais, que geram vinculações e comportamentos disfuncionais. Tem contribuído para a reestruturação cognitiva, reavaliação de sistemas de crenças, estimulando mudanças comportamentais e a expressão de sentimentos guardados a sete chaves no inconsciente. Utiliza-se para isso da prática afetiva, movimentos corporais, verbais, manifestações em grupo e abraço primário. Esta técnica afetiva esta embasada na reconstrução da identidade, no restabelecimento da união entre necessidade básica, contato físico e abertura emocional a partir do encontro com as as emoções primárias: raiva, medo, dor, amor e culpa.

4) Arteterapia e Artesanatos 

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Procedimento terapêutico que busca interligar os universos internos e externos do   indivíduo através das simbologias.  Busca usar as atividades artísticas em prol da saúde e   da  escuta.   Confecção de Mandalas, a partir do trabalho manual de fios de lã e gravetos de   madeira. A   modalidade trabalha com a técnica de cromoterapia – terapia a partir das   cores. O artefato   além de terapêutico possibilita a geração de renda, por ser um adorno   decorativo e alegre.   Pinturas, modelagem, desenhos livres, e afins.  Além destes, oficinas   de macramês, bonecas   de pano, fantoches, reciclados e fuxico. Arte, produção e muita   troca de experiência.

 

5) Terapia Ocupacional

A intervenção do terapeuta ocupacional tem como objetivo principal o resgate e a manutenção de habilidades físicas, motoras, cognitivas ou psicossociais do paciente, para o desenvolvimento de uma maior autonomia e independência nas atividades que fazem parte de seu cotidiano. Assim, a terapia ocupacional auxilia o restabelecimento de tarefas como: trabalhar, escrever, tomar banho, cozinhar, dirigir, andar, brincar, estudar, atividades produtivas, de lazer e entretenimento.

O terapeuta ocupacional pode atuar utilizando uma gama de atividades (lúdicas e expressivas por meio do lazer, arte, dança, leitura, desenho, pintura e estimulação cognitiva, entre outras) como recurso terapêutico. Não são atividades desenvolvidas meramente para ‘ocupar o tempo’, mas escolhidas com objetivos bem definidos e utilizadas como estímulos para provocar respostas específicas desejadas pelo terapeuta. Como exemplo, o terapeuta ocupacional pode utilizar uma atividade de pintura para trabalhar a noção de espaço, coordenação motora, concentração, dentre outras habilidades. É fundamental que as atividades realizadas sejam significativas, se relacionando com as necessidades, interesses e com realidade do paciente.

Cultura, Esporte e Lazer.

5) Comunicação Popular, Literatura e Poesia:

Criar mecanismos de expressão infanto-juvenil e auxiliar na produção de conteúdos. O empoderamento se dá a partir da 2 comunicação, da inteligência emocional e da sensibilização e conscientização do “outro” sobre temas individuais e sociais.

6) Dança Circular

Ayni A Dança Circular é cooperativa por natureza. Assim, nos tempos atuais, quando as pessoas   estão buscando caminhos para harmonizar as diferenças, este tipo de proposta cai como   uma luva por sua simplicidade e profundidade. Em roda, de mãos dadas, olhos nos olhos, o   resgate das danças folclóricas traz a ancestralidade à flor da pele e conecta cores, raças, tempos e espaços, acessando outros níveis de consciência e percepção. Esta prática prepara o ser humano para uma nova etapa da humanidade, onde harmonia e paz serão reflexos de atitudes de cooperação e comunhão.

7) Esporte

Trabalhar com esportes que possibilitem disciplina, autocontrole, trabalho em equipe e adrenalina. Volei, Futbol, Atletismo, Ciclismo, Sup, Caiaque, Trilhas Ecológicas, Capoeira e Skate.

8) Música, Dança, Teatro e Circo.

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